Renata Padovan – “Para Saber Onde Está Pisando”

Renata Padovan – “Para Saber Onde Está Pisando”
Adriano Casanova

“Para Saber Onde Está Pisando”, Renata Padovan.

6 de agosto a 10 de setembro

Nas duas últimas décadas, o trabalho da artista Renata Padovan narra as consequências das transformações antropogênicas na paisagem. Navegando entre a landart e a arte engajada com as questões socioambientais, seu trabalho tem um forte caráter de denúncia. Interessada pelo efêmero e pelo transitório, a artista cria memórias sobre esses estados de impermanência da vida, documentando “os impactos da exploração de recursos naturais e da construção de mega infraestruturas, alicerces do capitalismo neoliberal.

O trabalho Para Saber Onde Está Pisando parte de um desenho, uma representação gráfica que busca, numa escala macro, trazer uma nova sensibilidade para a destruição da Amazônia. Transferido para uma tela, o desenho foi bordado à mão, em lã, por artesãs Pernambucanas.  Representando a área enquanto bioma, a artista mapeia as partes desmatadas em vermelho, reservas legais em verde, terras indígenas em ocre e as áreas cinza correspondem a blocos petrolíferos. O branco, dentro dos limites externos, refere-se às terras não destinadas, terras públicas, as mais suscetíveis a especulações, invasões e ocupações ilegais. O trabalho estabelece um contraponto entre ao ato de construir, tecer, o manual e feminino com o ato de destruir, masculino e mecanizado.

 

 

 

 

A instalação ‘Irreversível’ apresenta o legado de destruição e impunidade atrelada à história da colonização dos rios para a produção de energia na Amazônia, revelando o real custo socioambiental das hidrelétricas na Amazônia. A artista cria um ambiente imersivo sobre o desastre da Usina de Balbina, a primeira de uma série de grandes hidrelétricas construídas na bacia Amazônica na década de 80. Passados mais de trinta anos, tais construções seguem sendo impostas por políticas de Estado, apesar de seu impacto devastador para as comunidades locais e ecossistemas.

 

 

 

A exuberância das paisagens criadas por Renata Padovan contamina nossos sentidos. À primeira vista nos despertam um sentimento de contemplação e aprazia. Um olhar mais apurado no conjunto das formas, nos adentramos em um campo sombrio. A artista nos oferece uma visão lírica de um mundo arruinado, transmutado e em decomposição, uma paisagem fantasmagórica criada pela tentativa  fracassada do domínio da natureza

 

Lilian Fraiji